Adormeço nos braços do absurdo
Quero ser surpreendida,
Desvendar o oculto
Longe de medos enraizados.
Nenhum frio atormenta mais
Que a palidez da mesmice,
O cheiro nauseante do previsível,
A perfeição dos iguais.
Onde se lê a assinatura do amanhã?
Quem engarrafa o tempo
E o toma a conta-gotas?
Busco a clareza do olho que vê e enxerga,
A leveza do espírito sem amarras
O passo que não teme o descompasso
Nem os percalços dos caminhos lúgubres.
Quero sim perder o rumo
Me achar no incerto
Caminhar por meus cantos escuros
Dizimar velhos fantasmas.
E assim, desnuda de mim mesma
De temores e pretensões vazias,
A vida rompe represas
Esvazia-se para ser preenchida
Abandona para se encontrar
A liberdade que não sugere, que não supõe.
Mergulho profundo e solitário.
De olhos abertos e mãos estendidas,
A busca pela pérola encerrada na ostra.
Adormecida, singular, à espera do resgate.
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