Os muros cercam as casas e os corações,
Colocamos com as próprias mãos os tijolos de nossa prisão.
Já se foi o tempo das cadeiras na calçada e das cantigas de roda.
Encurtou-se a infância e as delícias da simplicidade...
Não há distância que não seja alcançada
Maravilhosamente, vamos a qualquer parte do mundo num instante,
Mas não temos um instante pra abraçar quem está ao lado...
Verdades que gritam em nós, mas fingimos não ouvir
Os pais compram para os filhos o que não podem dar de si,
Arranjam argumentos para a própria culpa,
Podam os laços insubstituíveis que só o afeto une.
Cada dia mais erguemos muros ao invés de construirmos pontes
Falamos com o mundo e calamos o coração,
Criamos profissionais brilhantes que não sabem sorrir,
Esquecemos a felicidade das pequenas coisas,
Nos perdemos dentro de nós mesmos...
Como alguém sabiamente disse uma vez,
Não há como mudar o que está feito,
Mas podemos a qualquer hora recomeçar.
Sempre é tempo de derrubarmos muros
Sempre é hora de construirmos pontes...
