Chegamos a este mundo fadados a administrar, cada qual, seu universo particular.
Cada criatura destinada a carregar o ônus de suas insanidades e suas dores.
Distantes da gigantesca e colorida bolha ilusória que nos cerca e oblitera nosso senso de realidade, somos essencialmente sós.
Vez ou outra, compartilhamos algumas verdades. Tocamos na superfície do lago e no espelho d'água do outro nos enxergamos, nossa fragilidade, nossa indigência, nossa alma sedenta por um gole de compaixão e alento.
Não é a beleza das qualidades o grande vetor de nossa empatia. O frágil, imperfeito, o feio e vergonhoso é o elo irrefutável que nos reconhece como irmãos da mesma espécie, o gene comum da nossa humanidade.
Hoje, vivemos cativos de uma realidade virtual e entorpecente. Queremos mostrar ao mundo que somos felizes enquanto tentamos nos convencer disso. Trocamos ilusões, dissimulamos sorrisos, postamos palavras falaciosas para pseudo amigos. Mergulhamos num abismo de aparências, esperando não nos esfacelarmos quando atingirmos o chão.
Perdemos a noção, seguimos incautos na falsa sensação de conforto. Pintamos um quadro idealizado de nós mesmos para pendurar na vitrine da vida e ser admirado, invejado, projetado como verdade absoluta.
Calçados em nosso orgulho e vestidos em nossas vaidades, desfilamos ávidos por aplausos. Não obstante, nos bastidores de nós mesmos, só há uma realidade tangível: somos todos caminhantes solitários, vagando nus e descalços pela eternidade de nossos desertos.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Libertação
Sigo os passos do improvável
Adormeço nos braços do absurdo
Quero ser surpreendida,
Desvendar o oculto
Longe de medos enraizados.
Nenhum frio atormenta mais
Que a palidez da mesmice,
O cheiro nauseante do previsível,
A perfeição dos iguais.
Onde se lê a assinatura do amanhã?
Quem engarrafa o tempo
E o toma a conta-gotas?
Busco a clareza do olho que vê e enxerga,
A leveza do espírito sem amarras
O passo que não teme o descompasso
Nem os percalços dos caminhos lúgubres.
Quero sim perder o rumo
Me achar no incerto
Caminhar por meus cantos escuros
Dizimar velhos fantasmas.
E assim, desnuda de mim mesma
De temores e pretensões vazias,
A vida rompe represas
Esvazia-se para ser preenchida
Abandona para se encontrar
A liberdade que não sugere, que não supõe.
Mergulho profundo e solitário.
De olhos abertos e mãos estendidas,
A busca pela pérola encerrada na ostra.
Adormecida, singular, à espera do resgate.
À Deriva
Às vezes me sinto assim, um pedaço de qualquer coisa jogado no meio do nada.
Semente adormecida, que esqueceu de brotar.
O mundo pulsa incessante, expande, circula seu sangue quente
Eu, fragmento de sonho perdido, pedra que decanta no fundo escuro do lago
As vezes me sinto assim,
Correndo á margem da vida, parada, estática,
Avisto o trem à beira da estrada, ele carrega os desejos,
Mas sou expectadora...e só.
Semente adormecida, que esqueceu de brotar.
O mundo pulsa incessante, expande, circula seu sangue quente
Eu, fragmento de sonho perdido, pedra que decanta no fundo escuro do lago
As vezes me sinto assim,
Correndo á margem da vida, parada, estática,
Avisto o trem à beira da estrada, ele carrega os desejos,
Mas sou expectadora...e só.
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