sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Caminhantes

Chegamos a este mundo fadados a administrar, cada qual, seu universo particular.
Cada criatura destinada a carregar o ônus de suas insanidades e suas dores.
Distantes da gigantesca e colorida bolha ilusória que nos cerca e oblitera nosso senso de realidade, somos essencialmente sós.
Vez ou outra, compartilhamos algumas verdades. Tocamos na superfície do lago e no espelho d'água do outro nos enxergamos, nossa fragilidade, nossa indigência, nossa alma sedenta por um gole de compaixão e alento.
Não é a beleza das qualidades o grande vetor de nossa empatia. O frágil, imperfeito, o feio e vergonhoso é o elo irrefutável que nos reconhece como irmãos da mesma espécie, o gene comum da nossa humanidade.
Hoje, vivemos cativos de uma realidade virtual e entorpecente. Queremos mostrar ao mundo que somos felizes enquanto tentamos nos convencer disso. Trocamos ilusões, dissimulamos sorrisos, postamos palavras falaciosas para pseudo amigos. Mergulhamos num abismo de aparências, esperando não nos esfacelarmos quando atingirmos o chão.
Perdemos a noção, seguimos incautos na falsa sensação de conforto. Pintamos um quadro idealizado de nós mesmos para pendurar na vitrine da vida e ser admirado, invejado, projetado como verdade absoluta.
Calçados em nosso orgulho e vestidos em nossas vaidades, desfilamos ávidos por aplausos. Não obstante, nos bastidores de nós mesmos, só há uma realidade tangível: somos todos caminhantes solitários, vagando nus e descalços pela eternidade de nossos desertos.

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