Ser mãe é ter um dia que conviver com a realidade do ninho vazio. Porque essa é a sina de todo ninho, acolher, proteger e se preparar para o vôo inevitável. É o curso da vida. Não há vazio de amor, mas de infância distante, de quem virou "gente grande", para abraçar o mundo com as próprias asas. Fica a saudade. Saudade de quando você era o mundo. De quando havia medo do escuro, de quando abraçar e beijar mil vezes ante de ir à escola não era pagar "mico". Saudade de quando andar sempre de mãos dadas ou ajudar a tomar banho, era tão natural quanto respirar. Saudade de empurrar o balanço no parque, de ler histórias antes de dormir e de segurar as lágrimas nas apresentações de dia das mães. São tantas e tão pequenas coisas...que valem toda uma vida. Os tempos mudam mas o ninho permanece. Não é mais a fortaleza que protegia de todas as dores do mundo, mas sim, a morada do aconchego. O colo em que se pode adormecer de olhos fechados, o abraço quente quando é inverno na alma. A certeza dentre tantas dúvidas. A luz acesa na porta, sempre à espera durante a escuridão da noite. Mãe de útero, de coração, de vida... amor de mãe é planta teimosa... resistente, nasce de qualquer solo, supera qualquer tormenta e cresce. Sabe quando nasce, mas nunca quando termina. Cresce até quando o infinito deixar de ser infinito. Que todos os pequenos momentos que tecem essas almas trançadas, sejam ao máximo sugados, assimilados, degustados, vividos em todas as suas cores e formas, em todos os seus sons, em todos os sentidos possíveis. Porque uma das imutáveis certezas da vida, é que o tempo não retorna e ser mãe é a mais doce, árdua e maravilhosa forma de chegar mais próximo a Deus.
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