Vivo tropeçando em mim mesma. Mas quem não se tropeça? Quem não precisa se perdoar todos os dias?
É que tem dia, que a gente cansa de ser a gente mesmo, de tropeçar sempre nos mesmos lugares, de descumprir sempre as mesmas promessas. Ainda bem que a vida é mais teimosa que a gente.
Outros dias, de menos cansaço e mais tristeza poética, a gente se sente poeira no mundo, pairando sem tomar prumo da própria rota. E não somos todos poeiras de Deus? Deve haver algo de muito bom nisso, porque de repente a gente se sente importante, aquela única nota da melodia tão inerente à perfeição da obra. Vai ver, a sabedoria da vida pulsa oculta nas minúsculas partes do todo.
Muitas vezes a noite se instala em mim e nada do que sou ou do que tenho me preenche. São lacunas de algo que não sei por onde anda, peças de um quebra cabeça que só Deus conhece; vazio.
Talvez por isso esteja fadada a sofrer da síndrome do caramujo. Gosto de viver dentro das ilimitadas possibilidades do meu universo particular, da minha casa de caramujo. Não me importo, geralmente não faço questão de colocar a cabeça pra fora e espiar o mundo.
Vez em quando quero ser borboleta, mas me falta coragem. Quem sabe é preguiça mesmo, ser borboleta dá muito trabalho; mais fácil ser caramujo.
Não sei em que momento se estabeleceu a rota de fuga. Em certos momentos ela é a única forma de sobrevivência. De repente a gente se acomoda, vai se permitindo ser como é...
Creio que em algum ponto, a vida deixa de ser o fruto consciente de nossas escolhas para ser o resultado da nossa permissividade. Deixamos de incorporar o agente de nosso destino e nos colocamos na posição, talvez aparentemente confortável, do receptor passivo. Deus
não criou ninguém pra ser caramujo. Viver é um verbo de ação, é colocar os pés pra fora da porta e caminhar, ainda que nu, descalço e cambaleante. A vida é urgente.
Todos temos nossos momentos necessários de recolhimento, de pausa para um refazer-se, reconstruir-se. Às vezes não adianta tapar buracos, tem que derrubar as paredes para levantar novas. Cada qual e cada coisa no seu tempo. Há reformas que exigem muito mais de nós e são tão necessárias quanto respirar. Olhar-se no espelho não dói, desde que nele se reconheça, não talvez, a alegria da vitória, mas a paz que repousa na certeza de ter feito tudo que pôde.
Daniela que texto lindo, me identifiquei muito com esse trecho: "Talvez por isso esteja fadada a sofrer da síndrome do caramujo. Gosto de viver dentro das ilimitadas possibilidades do meu universo particular..."
ResponderExcluirPor vezes me sito como você. Parabéns por expressar os teus sentimentos de uma forma tão simples e bonita.
Que bom amiga...se uma única pessoa se identificou com o q escrevi, já valeu a vida. Melhor ainda q seja vc. Bjs...
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ResponderExcluir👏👏👏👏
ResponderExcluirMárcia, foi algum erro do site. Se quiser postar novamente, ficaria feliz em ler. Bj
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