Busco abrigo para longe de mim mesma
Fuga inútil do outono desolador...
Mas é tempo das folhas mortas,
Época necessária de colher espinhos
De olhar para o feio e pálido
Recolher a alma seca na esperança do broto.
Somos todas as estações
Cada qual com sua beleza e dor.
Atravessar vales de si mesmo
Deparar-se com os frios calabouços
Esquecidos, escondidos, negligenciados,
Tarefa tão árdua quanto solitária.
Mas no fim não somos mesmos sós?
Chega de saudades inúteis
De tudo aquilo que não foi,
Basta de armazenar dores...
É imprescindível esvaziar-se, reciclar-se,
Livrar-se de tudo que só faz teia e pó
Varrer as folhas, abrir as janelas aos novos ventos
Há que se entender,
Certas "estações" são duras e necessárias
Certas batalhas são travadas na solidão
Não se percorre os labirintos do outro...
Findas as folhas secas
Tendo percorrido os caminhos de si
Com olhos escancarados,
Amanhece a nova estação.
Prontos para enxergar a beleza,
Novos espaços a serem preenchidos
No universo das possibilidades...
Até o dia em que,
No ciclo natural de tudo que vive,
Enfrentaremos novamente as estações sombrias,
Percorreremos nossos vales solitários,
No movimento eterno do renascimento.

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