domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Jardim

As flores brotam no jardim da vida
Mas é preciso ter olhos que vejam
Para que a chuva molhe as terras áridas do coração

As folhas secam no outono, triste retrato do fim
Solitária "hibernação"...
Mas do pálido e cinzento ressurge a vida
A natureza sabe que é preciso tanto e quanto for necessário,
Morrer para renascer
Ela tem esculpida em suas raízes a transitoriedade da matéria

É preciso deixar as cascas secas para trás,
O apego insensato, infantil e inútil
Porque o que foi sempre será
Está de forma inexorável registrado,
Numerado, tatuado nos genes do espírito

Sinta o chamado,
Ouça a música do amanhecer...
Porque a vida é agora
E a palavra de ordem é transformação
Lenta, profunda, dolorida, necessária...

Tudo que vive se transforma
Tudo que é humano erra
Mas não é preciso rasgar a página
Só porque o escrito não pode ser apagado
Continue a escrever, vire a página,
Altere os personagens, modifique os rumos da narrativa
Afinal é de tuas mãos que a caneta desenha as letras

É certo  que tudo é breve e efêmero
E só sabemos o quanto, quando o fim chega
Mas não importa o tamanho do livro
Não é a quantidade de páginas
Que define a grandeza da história

As flores brotam do jardim da vida
E sempre é tempo de colheita.


Dani.

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